Então, será mesmo que usar um medicamento (que como qualquer outro, possui efeitos adversos, e neste caso, a dependência química) é a solução para o meu problema?
E se ao final do período eu realmente conseguir notas melhores e for aprovada, será que vou me sentir merecedora disto? Será que vou querer usar sempre?
Afinal de contas, eu terei usado uma droga para eliminar uma falha que me acompanha desde muito pequena: a dificuldade de concentração.
E eu sou assim mesmo, sabe? Gosto de voar, de pensar e abstrair. Sempre me achei um tanto 'espacial', deve ser por isso que amo aliens... Quantas poesias já fiz, quando estava "estudando"...
Mas no momento, reconheço que não posso me dar a esse luxo.
E vou explicar por quê.
Bom, eu estou cursando o 6º período da faculdade de Medicina da UFAL.
Não é apenas mais um período. É 'O' período.
Aquele cuja fama percorre todas as bocas, em todas as turmas: "é o pior". "O mais difícil". "O que tem maior número de reprovações", etc e tal.
Já passei pelo primeiro módulo e posso dizer: é tudo verdade.
Semana passada foi a semana de provas e eu perdi as contas de quantas vezes chorei, assim do nada. Estava muito instável emocionalmente, sem poder dormir (fiquei 1 semana dormindo no máximo 3 horas por noite e já estava há 1 mês dormindo mal). Várias vezes me senti incompetente, desesperançada, com vontade de desistir. Vontade mesmo. De largar tudo. De fugir dos livros, da rotina.
Foi uma das piores semanas da minha vida. Com certeza a mais longa.
Foi o mais perto que cheguei da depressão.
Não acho que esse tipo de formação médica é bom para o aprendizado do aluno. Pelo contrário. Tenho certeza que 90% das coisas que estudei não vou me lembrar mais daqui a pouco.
E isso te deixa ainda mais desmotivado, quando você se pega esquecendo de algo que deveria lembrar...
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